sexta-feira, 29 de março de 2013

IMTT


Serviço publico o que é! IMTT 



Tenho vindo a fazer diversas reflexões sobre o momento actual, reflexões que espero, semanalmente, poder partilhar com o maior número possível de pessoas, através deste blog, e convidando à discussão das mesmas, sendo bem-vindos todos e quaisquer pontos de vista.

Como já tive oportunidade de referir, são várias as reflexões que gostaria de partilhar, o que torna particularmente difícil escolher o primeiro tema para expor a uma possível discussão.

Assim sendo, resolvi começar pela minha mais recente experiencia, e que me fez acreditar numa total falência acéfala do sistema da administração publica.

Devido a uma fraude, um membro da minha família recebeu uma notificação das finanças (única entidade publica que parece estar a melhorar a sua capacidade de resposta embora talvez não pelas melhores razões) para pagar o imposto de circulação automóvel respectivo aos anos de 2008 e subsequentes, de um carro que fui entregue a um sucateiro em 2005, conjuntamente com o registo de propriedade. O sucateiro por sua parte comprometeu-se em dar baixa do carro de acordo com as suas competências e a fazer chegar ao meu familiar, o comprovativo de entrega do mesmo, tais documentos nunca chegaram, e quanto ao sucateiro pelo que pude apurar desapareceu do mapa.

Para poder ajudar este membro da minha família que por motivo de doença tem algumas das suas faculdades cognitivas diminuídas, contactei a linha de apoio do IMTT, que me, indicou que devia reunir a seguinte documentação: (não fosse a minha ajuda, tal como acontece com um grande numero de pessoas, este meu familiar acabaria por ter que se deslocar ao IMTT, por mais do que uma vez) uma nova certidão de registo de propriedade do automóvel, que me custou 17€; fazer uma declaração sobre Compromisso de Honra, reconhecida em notário que me custou 10€; anexar copia autenticada da declaração da companhia de seguros que dava o carro como perda total, 20€ Após reunir toda esta documentação e ter gasto 47€, dirigi-me ao IMTT, para dar baixa do carro às 10h; quando lá cheguei era a senha noventa, de um serviço com 4 funcionários, estando no momento a ser atendido o cliente nº 21 sendo que o IMTT abre portas as 9h.

Durante as mais de 3h de espera, tive oportunidade de falar com algumas pessoas que ali estavam, na sua maioria por razões similares à minha. De todas as historias que ouvi gostava de partilhar convosco a história de uma senhora, que estava bastante angustiada porque ainda faltavam vários números até ser atendia e tinha medo de perder a camioneta de regresso a Amarante ficando assim forçada a só poder regressar a casa ou de táxi ou na camioneta do fim de dia, ficando assim retida numa cidade que não conhece, e provavelmente obrigada a gastar uns quantos cobres durante o período de espera.

Quando finalmente chegou a minha vez, fiquei a saber que, apesar de ter conseguido dar como provada e impossibilidade do carro se encontrar em circulação desde 2005, teria de pagar a totalidade dos impostos de circulação e respectivas coimas pecuniárias até a data, e que dar baixa do carro me iria custar 10€.

Aproveitei o momento para enquanto o funcionário, dava andamento ao processo, perguntar o porquê de numa altura em que tanto se fala da mobilidade dos funcionários públicos apenas havia 4 funcionários adjudicados àquele serviço, claramente insuficientes. Não teria autonomia o responsável da repartição para solicitar um reforço do pessoal? Fiquei então a saber que, para cúmulo, estava em marcha um projecto para reduzir as delegações do IMTT confinando-as ao Porto, Lisboa Alentejo e Algarve.

Depois de uma manhã passada no IMTT, esperava-me uma tarde nas finanças, pela mesma razão. Fui então informado que teria que pagar o imposto de circulação de 2008 e 2009, acrescidos das respectivas coimas, sem ter qualquer possibilidade de contestar. Quanto aos restantes anos poderia sempre fazer uma nova exposição da situação ao director da repartição anexando cópias autenticadas (20€) de toda a documentação que me parecesse relevante, mas que a probabilidade de conseguir o dito perdão era muito reduzida e que o pedido poderia acabar por levar ao aumento das coimas já aplicadas.

É verdade que o titular do automóvel tem alguma responsabilidade no facto de não ter dado baixa do carro mas, se tivermos em consideração que se trata de uma pensionista com uma reforma inferior ao ordenado mínimo, com problemas de saúde que aumentam significativamente os seus encargos mensais e a especificidade dos mesmos, parece-me injusta a tal dificuldade em conseguir o perdão da divida.

Assim, tenho dificuldades em perceber que depois dos esforços que foram feitos para descentralizar os serviços da administração pública para os aproximar do cidadão e assim tornar mais eficientes, se esteja a regredir voltando a optar pela centralização dos mesmos.

Se tal quadro se vier a confirmar, tendo em consideração que uma elevada percentagem da população tem carro e que o mesmo é renovado com alguma frequência, torna-se assim muito provável que ao longo da sua vida tenha que recorrer mais de uma vez ao IMTT e para isso deslocar-se uns bons quilómetros a fim de resolver pequenas questões. Numa altura em que ainda existem algumas repartições deste tipo de serviços no pais e que o tempo médio de espera neste serviço ronda as 3 a 4h, sendo que, no ano passado, devido ao facto de Direcção Geral de Impostos ter decido por enviar as notificações no limiar dos prazos para dificultar a contestação às coimas, houve pessoas que sentiram necessidade de passar a noite a porta deste serviço.



Com a sua total centralização para quanto não passará este tempo médio de espera?

Aproveito ainda para alertar que as finanças se preparam para enviar novas notificações referentes ao ano de 2009.



Há que aguardar pela número da senha, pois claro!

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