terça-feira, 30 de abril de 2013



As crianças em 1º

Nos últimos dias muito tem se noticiado em volta da polémica decisão do parlamento Francês em liberalizar o casamento gay e a adopção por casais do mesmo sexo.
Assim, mesmo sabendo que poderei conquistar alguns inimigos com a minha opinião, não poderia deixar de a exprimir, pois só assim poderei ter alguma tranquilidade de consciência e ver abrandados os meus remorsos provocados, pelas condições muitas vezes, quase desumanas em que muitas crianças se encontram, institucionalizadas.
Fico pois muito admirado que um país, em que há vários anos teve lugar uma revolução com o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade", que serviu de exemplo para muitas outras revoltas um pouco por toda a Europa só agora tenha tomado estas medidas.
Custando-me entender o porquê de tantas manifestações, o que me leva a pensar que os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, tem vindo aos poucos a ser postos de lado. Assim, lamento que a França não posso, uma vez mais, servir de exemplo para os restantes países da Europa que tardam em adotar estas medidas.
Numa primeira fase, comecemos por dissociar as medidas do parlamento Francês de forma independente, para depois podermos olhar um pouco para aquilo que é a realidade Portuguesa.
De um lado, está o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanto a este facto, considero que o que esta em causa são os direitos e a liberdades de duas pessoas adultas, que na minha concepção, tal como qualquer casal heterossexual são livres de amar e se relacionarem da forma que bem entenderem!
Por outro lado, está a adopção de crianças, por parte destes mesmos indivíduos após se casarem. Esta sim penso que é a questão que esta na origem de tanta contestação, que levanta mais polémica e apreensão na maioria das pessoas. Assim penso que todos estarão de acordo comigo quando digo que em primeiro lugar devemos colocar o bem-estar da criança!
Sei que muitas pessoas têm reservas quanto a este tema, considerando que uma criança que seja criada numa família em que existe ausência de um pai ou mãe, e que por outro lado, existe uma duplicação destes papéis, poderá ter problemas de crescimento, ser vítima de descriminação, e que estará fatalmente “condenada” a também ela ser gay (sendo esta última questão a que provavelmente causa mais controvérsia.) 
Pois bem; nos tempos que correm os filhos de um casal heterossexual, facilmente convivem com casais gays, e não acredito que esta convivência possa alterar os seus gostos e predisposições, salientando que todas as pessoas gays são o resultado de uma relação  heterossexual que em muitos casos esteve presente ao longo de toda a sua vida.
 Assim acredito que da mesma forma que um filho de um casal heterossexual pode ser gay, um filho de um casal gay pode ser heterossexual.
Quanto aos problemas de crescimento, considero que todas as crianças que sejam bem cuidadas, alimentadas e alvo de afectos, quer estes provenham de um casal gay ou heterossexual, têm exactamente a mesma probabilidade de, por exemplo, ter sarampo ou apanharem uma gripe,  de se tornarem em adultos violentos, depressivos ou frustrados, ou de serem pessoas realizadas e inteiramente integradas na sociedade (desde que não sejam vitimas de descriminação que tanto pode ser por ter pais gays ou por usar óculos)ou exemplos talento e sucesso
Quanto ao serem vítimas de bullying, de facto, este é um risco que poderá acontecer, no entanto, ainda há poucos dias vi crianças de um infantário chamarem mina a um rapaz, apenas porque esta criança devido às suas origens africanas tem cabelo comprido e muito encaracolado ou, por exemplo, quem é que já não viu uma criança ser alvo de chacota por usar óculos?…
Chamo à atenção que os pais desta criança por serem gays, também eles certamente, em dado momento das suas vidas, foram descriminados, gozados e até repudiados, por isso, encontram-se bastante sensibilizados e prevenidos para este tipo de questões, sendo este facto case que uma garantia de que iram tentar preparar a criança para lidar com este tipo de descriminação, podendo mesmo adotar comportamentos excessivamente proteccionistas.
Agora olhemos então para a realidade portuguesa, numa primeira fase para as questões relacionadas com o casamento e adopção e, depois para a realidade de muitas das crianças que se encontram institucionalizadas
Como penso ser do conhecimento de todos já é permitido em Portugal o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no entanto, essa mesma lei, proíbe expressamente a adopção de crianças por casais gays. Esta medida deixou como já é hábito em muitas das nossas leis, um vazio legal, que permite a uma pessoa gay a título singular adotar uma criança!
Agora imaginemos que o Pedro ou Ana decidem adotar uma criança, e que depois de terminado o processo de adopção resolve partilhar a sua vida com uma outra pessoa. Ao fim de 15 anos por alguma fatalidade esta mãe/pai de afecto morre. Sabem o que acontece a esta criança? A resposta  a esta pergunta perece-me no mínimo ter requintes de malvadez.
Esta criança agora a debater-se com as normais questões da adolescência, e enlutada, que durante vários anos conviveu e foi feliz ao viver com dois pais ou com duas mães, tem que ser devolvida a uma instituição da qual foi retirada por meio da adopção (é lamentável que se fale tanto no Superior interesse da criança e se comentam atrocidades como esta, parece-me que estamos a falar de um rapto absurdamente “legal” e grotesco!) Sim por mais surreal que possa parecer é mesmo isto que acontece!
O outro pai/mãe não tem qualquer direito a ficar com a criança e caso o queira fazer terá de voltar a iniciar um novo e moroso processo de adopção.
Tentemos ir um pouco mais longe, com a nossa imaginação, pensemos que a criança herda uma considerável fortuna, para a qual terá que ser nomeado um tutor legal, o mais provável é atrair a atenção de pessoas que nunca se preocuparam com a criança, que depois de raptada se arrisca a ser explorada e extorquida.

Permitam-me que fale um pouco das instituições de acolhimento de menores, que frequentemente vi descritas como guetos, ou escolas de delinquência.
Há bem pouco tempo convivi de perto com a realidade de crianças que se encontram institucionalizadas e a quem as instituições aos poucos vão roubando a sua infância, identidade e individualidade.
Em muitos albergues deste país as crianças têm que partilhar as suas roupas, incluindo as roupas interiores com todas as outras crianças da instituição, bem como objectos de higiene pessoal (escova de dentes, por exemplo). Em alguns casos não lhes são incutidas regras básicas: por exemplo, muitas não entendem o porquê da necessidade de tomar banho diariamente, e as que o tentam fazer não raras vezes têm falta de meios para o fazer (em muitos casos não e possível terem privacidade para tomar banho, faltam-lhes bens, o champô, o gel de banho e o papel higiénico são racionados, em alguns casos em quantidades mínimas). Muitas delas, não têm sequer uma gaveta para poderem guardar alguns pertences. Quando estas crianças têm contacto com outras que não se encontram institucionalizadas são também elas alvo de bullying de elevadíssima violência.
Na maioria destas instituições as pessoas que lá trabalham já lá estão há muito tempo, tendo adquirido uma enorme frieza em relação às dificuldade das crianças que estão a seu cargo, e mostrando uma enorme resistência a quem vem de novo e tenta melhorar algumas das condições de vida destas crianças. Crianças estas que em muitos casos nunca chegaram a ter a sua própria família. Sem falar que volta e meia lá vêm notícias de maus tratos a crianças institucionalizadas. Acreditem que tudo o que estas crianças conseguem, o conseguem sem dúvida alguma por mérito próprio e a custa de muito esforço!
Relembro ainda que no nosso país há um caso bem conhecido de adopção de uma criança por um casal gay, sem que se tenha criado grande polémica em torno deste assunto, que em alguns casos foi louvado. Ficara este acontecimento a dever-se ao facto desta criança ter Trissomia 21, pois se for esta a razão, estamos novamente perante um caso claro de descriminação.

Desocultando e reescrevendo estas invisibilidades, proponho uma reflexão que possa permitir abrir espaços de discussão e reflexão, contribuindo dessa forma, para que este assunto volte a estar na agenda social, e para que as crianças passem realmente ser o tema central desta discussão, e não as preferências sexuais de um qualquer indivíduo!
Com este texto não procuro solidarizar-me com a causa gay, somente manifestar a minha preocupação com o bem-estar físico e emocional de todas as crianças que sem pedirem foram trazidas ao mundo. 
Respeitando obviamente toda a comunidade gay, e defendendo que devem ter a mesma liberdade, garantia e deveres que qualquer ser humano!
Em suma considero que toda e qualquer pessoa que tiver disponibilidade efectiva e material deve ser livre de adotar uma criança, já que muitas vezes penso que o termo mais coreto não seria adotar mas sim resgatar.




sexta-feira, 26 de abril de 2013



Os intermediários da justiça!

Tendo já falado dos que estão no topo da cadeia do nosso sistema de justiça e dos que estão na base falta-me apenas falar dos intermediários. E para isso partilho uma expressão do meu avo. Os advogados são ladrões com carteira profissional e diplomados. Quando são procurados por um cliente dizem de imediato que a razão esta do seu lado, e que o processo será muito fácil. Mas numa grande parte dos casos acabam por resolver tudo com um acordo, fazendo com que o cliente que os procurou não fique com a sensação de que se era para ter aquele desfecho mais-valia ter sido ele a chegar a acordo sozinho. Para além disso uma pequena consulta é logo umas centenas de euros. Isto nos advogados que servem o cidadão comum.
No caso dos grandes escritórios de advogados que servem pessoas ricas e influentes como, um certo presidente de câmara que todos conhecemos, vão sempre arranjando forma de empatar a justiça ou de a contornar dando ao cidadão a convicção que a justiça é diferente consoante o escalão social, financeiro e as vezes até a cor política, criando assim uma sensação de impunidade para algumas franjas da sociedade.

quarta-feira, 24 de abril de 2013


PSP AO SERVIÇO DE QUEM?


Tal como prometido aqui fica o testemunho da paródia policial que vivi a alguns dias/meses.
Era sexta-feira à noite e estava a chover torrencialmente. O meu filho tinha ido comer com a mãe ao McDonald's da avenida dos aliados (Porto) e ligou-me a perguntar se o podia ir buscar uma vez que estava a chover muito. Se tivesse de regressar a casa recorrendo aos transportes públicos o mais certo era acabar doente.
Uma vez chegado à dita avenida, parei o carro na faixa mais próxima ao passeio que é de Bus liguei os quatro piscas e telefonei ao meu filho para o avisar que estava a espera.
Assim que o vejo sair da McDonald's e passados apenas dois minutos de ter imobilizado o carro vejo um carro da policia que pára à minha frente. Saíram do carro dois policias que se dirigiram a mim.

- Boa noite! – Posso saber qual é a emergência para estar com os quatro piscas ligados!
- Boa noite! Estou à espera do meu filho que esta a sair da McDonald's.
- Pois… mas sabe que o código da estrada só permite ligar os quatro piscas em caso de emergência e, além do mais, está parado numa via de emergência.
Entretanto o meu filho entrou no carro.
- Como esta a chover muito achei por bem ligar as quatros piscas para assinalar a minha presença e evitar acidentes.
- Sim mas como já lhe disse os quatro piscas são para ser usados apenas em caso de emergência e também não pode parar a viatura na facha de emergência assim vou ter que o multar. Se não se importa preciso, que me acompanhe a nossa viatura e que traga consigo os seus documentos.
- Ok parece-me um pouco excessivo, quando há tantos carros mal estacionados a dificultar a circulação de pessoas e carros mas… Ok.
Enquanto os polícias, confortavelmente sentados no carro, verificavam os meus documentos e passavam a multa, que me custou 75€, eu fiquei encostado a janela do carro deles.
- Se não se importa senhor agente, agora que já paguei a multa e que estou completamente encharcado, gostava de lhe fazer um pequeno desabafo. Há dias recebi a visita de um amigo Norueguês que fez o seguinte comentário. “Eu não percebo ou todos os portugueses são ladrões ou todos os polícias são corruptos. Como sabes já viajei por diversos países, e conheço poucos em que a população tenha um relação tão má com a polícia dando a ideia que os evitam. No meu país existe o polícia de bairro que conhece quase toda a gente e, em alguns casos, até pelo nome, com quem frequentemente as crianças querem tirar fotografias, que auxilia as pessoas às vezes até ajudando a carregar compras.” Sabe por que é que a maioria dos portugueses tem uma tão má relação com a policia? Eu não duvido que os senhores sejam óptimos funcionários, alias não tenho qualquer duvida;  defendem escrupulosamente os interesse financeiros da entidade empregadora, mas esquecem por completo que estão ao serviço da comunidade, e esquecem os princípios humanos. Até fazem com que algumas pessoas se perguntem se não serão trabalhadores comissionistas!
- Já esta a passar das marcas!
- É que sabe eu até chegar a esta rua já vi muitos carros e nenhum deles estava multado!

Carros esses que estavam a prejudicar muito mais a circulação do que o meu que, aliás, se não fossem os senhores terem aparecido, tinha estado parado não mais que dois ou três minutos! Como vocês saberão a baixa do Porto tornou-se no centro daquilo a que chamam a “movida portuense”, assim pelo caminho atá à avenida, vi muitos carros mal estacionados: em cima do passeio, em passadeiras em segunda fila basicamente em tudo o que era espaço onde pudessem por um carro, lá estava um.

Acabei por pagar mais 75€ por desrespeito à autoridade e fiquei com uma valente gripe que me deixou de cama por alguns dias. O estado arrecadou o dinheiro das multas mas acabou a devolver-mo devido ao pedido de baixa médica.
Por vezes tenho dificuldade em saber quem tutela algumas forças ou brigadas policiais: se o ministério das finanças ou o da administração interna.
Talvez importe ainda dizer que o meu amigo – o tal Noroeguês – é director da organização internacional de sociologia.
Eu sei que felizmente no que toca a polícia de investigação existem verdadeiros heróis que desempenham as suas funções de forma exemplar e enfrentando uma enorme falta de meios. Mas também sei que a mim e como eu muitas outras pessoas, não faltam histórias de total falta de noção de serviço comunitário por parte das autoridades e sobre tudo das que fiscalizam a circulação rodoviária.

segunda-feira, 22 de abril de 2013


Marketing Politico

O papel de cada um!


Como é que alguém pode esperar que os Portugueses acreditem na classe política, após a nomeação desta senhora (Berta Cabral) para secretaria de estado da defesa nacional. Depois ter criticado duramente o governo em funções e ter ameaçado votar contra o orçamento de estado, esta senhora é nomeada para um cargo dentro do mesmo governo que tão severamente reprovou na fase final da candidatura a Presidente do Governo Regional dos Açores.
Algumas figuras do partido ao qual esta senhora pertence, vieram agora a público dizer que a sua actuação durante a campanha nada mais visou do que o marketing politico. Eu cá digo que me pareceu uma atitude desesperada de conseguir um novo “taxo” com mais visibilidade, e poder. Não sei se não devo começar a preocupar-me com a segurança da minha Pátria!

Mas este não é um mal exclusivo desta senhora nem deste partido senão veja-se bem!
Comecemos pelos partidos do poder!

A figura central do estado, esta entregue a alguém que o seu próprio pai diz em plena campanha eleitoral não ser sequer capaz de governar a própria casa. (Peço desculpa por não poder publicar um link desta entrevista, mas esta parece nunca ter existido. Não fosse eu ter ouvido pessoalmente, e não acreditaria.)

A apoia-lo está, o sempre disponível colega de direita! Que em tempos idos, teve um discurso bastante pungente. Esta é a segunda vez que sustenta um governo de coligação. No primeiro ficou responsável pela pasta da defesa nacional, desta vez ficou com a pasta dos negócios estrangeiros para não levantar muita poeira.
De salientar que no fim do seu primeiro mandato, surgiram varias dúvidas quanto a um determinado negócio no valor de  880 milhões de euros na altura ainda se acreditava que era possível ter vacas gordas sem as alimentar, ou alimentando exclusivamente o pastor. O caso já foi a julgamento num outro país onde teve como desfecho a condenação de alguns dos envolvidos. No entanto não convêm muito que se fala no assunto; dá sempre jeito ter alguém disponível com quem nos ligarmos. Afinal de contas foi desta necessidade que nasceu a que se acredita ser a mais velha profissão do mundo.
Pergunto-me se não seria capas de se coligar com a esquerda!


No partido que se quer assumir como opositor directo, temos um Líder que vive abafado por um comentador político, que ao nível do tal “marketing político” é do melhor que este pais já viu. É um líder que não entendo, como alguma vez poderá aspirar a liderar o país quando não consegue manter uma liderança estável do seu partido, facto que se fez sentir assim que assumiu funções. Talvez a única via de para chegar a primeiro ministro seja a falta de alternativas, e o total descontentamento com o governo actualmente em funções. Isto se não cair entes do governo!

Mais a esquerda temos um senhor muito simpático, quase um dinossauro da vida política, que tem sérias dificuldades em fazer passar a sua mensagem, a não ser numa festa conhecida pelos canecos. É um partido que acima de tudo se destina a fazer barulho. No entanto merece alguma consideração da minha parte por se manter um ideólogo.

Depois temos um partido bicéfalo! Brilhante…
 Só falta, é saber o porque desta bicéfalia, que dito desta forma mais parece uma doença. Será por falta de tempo ou de capacidade por parte dos dois intervenientes para exercer as responsabilidades que o cargo acarreta?
Será por terem ideologias ligeiramente diferentes ou será que estão a pensar num hipotético cenário eleitoral em que possa ser necessário sacrificar um dos elementos para se poderem coligar com alguém.

Na ultima linha temos alguns partidos dos quais poucas pessoas sabem o nome, e que tem muito pouca ou nenhuma voz no contesto político.

Não quero com isto dizer que exercer um cargo político é fácil, bem pelo contrário, provavelmente todas estas críticas, só sejam possíveis devido à dificuldade dos cargos que estas pessoas ocupam. No entanto, penso que nos fazem falta alguns políticos com mais carisma, ideologia, conhecimento do país, pensamento estratégico para lá de um mandato e eloquência, na comunicação com o país.

Felizmente ainda nem todas as declarações da senhora que me levou a este desabafo desapareceram.

quinta-feira, 18 de abril de 2013


Equidade Financeira!



Para o comentário desta semana tinha planeado continuar a dissertar sobre o sistema judicial do nosso pais, partilhando uma “peripécia” entre mim e a PSP do porto, mas as notícias em torno do acordo entre o Sporting e a banca vieram alterar os meus planos, forçando-me a deixar esta quase comédia (parodia) policial para mais tarde.
Como penso que muitos de vós já deverão saber, o Sporting chegou a acordo com o BCP e o BES para a libertação de 4 milhões de euros para pagar os salários em atraso da equipa principal. Pelo que consegui apurar o ordenado mais baixo de um jogador da equipa principal ronda os 42 mil euros. A verba que o clube conseguiu desbloquear provem dos direitos televisivos dos jogos, que estavam penhorados pelos bancos, em causa como forma de pagamento das dívidas. Divida esta que se fala andar entre os 15 e os 23 milhões de euros.
Esta é uma negociação que para muitos particulares que tentaram renegociar os créditos das suas casas (de montantes bem menores), não deu frutos e em muitos casos conduziu a uma total ruína familiar, fazendo com que famílias inteiras percam as suas casa e fiquem com uma divida que se poderá arrastar ate ao final das suas vidas. Entendo que os bancos não queiram perder o dinheiro investido, ou ficar com bens que depois teriam dificuldade em transformar em dinheiro, mas o mesmo acontece com um elevado número de casas que vemos ir a leilão todos o dias. Também sei que a compra e venda de jogadores de futebol se correr bem pode ser muito rentável, caso corra mal pode ser desastrosa.
O BCP anuncia ter 4.200 milhões de euros, para emprestar as empresas ate 2015, no entanto é sabido as dificuldades que o nosso tecido empresarial tem encontrado para aceder a estas verbas.
É importante recordar que o BCP, como a maioria dos bancos portugueses já foi alvo de intervenção do Estado que, neste caso, se estima ter investido 3.500 milhões de Euros. Este valor que alguns analistas financeiros estimam ser 4 a 5 vezes superior ao seu valor de mercado uma vez que as acções deste têm oscilado em torno dos 9 cêntimos (0,093), facto que levanta algumas dúvidas quanto a capacidade do banco para pagar a divida dentro do prazo acordado de 5 anos.
Curiosamente, o Estado, com esta operação, passou à condição de sócio maioritário mas, pasmassem-se, o Estado Português não tem qualquer direito a intervir na gestão do banco, já que esta operação foi encarada como um simples empréstimo para o banco poder manter os rácios que deve cumprir. Verdade seja dita, depois do que fez durante o tempo que esteve à frente do BPN, não consigo dizer com segurança que esta foi uma má decisão!
Se a sua ou a minha empresa estiverem em risco, o Estado ajuda-o de alguma forma! Mesmo que com isso acabe por ter de despedir trabalhadores que passaram a ser um custo para o estado!
Vale ainda a pena recordar que o Estado já teve necessidade de entrevir também no BPI, no BANIF e CGD, num total aproximado de 7 milhões de euros, sem falar no ruinoso negócio do BPN. Sendo que um dos factores que muito contribuiu para a ruína deste banco foi a sua teia de relações com o mundo do futebol e em especial com a selecção nacional, vale a pena pensar sobre tudo isto. Caso estes bancos não consigam honrar as suas dívidas, segundo alguns, eu e todos os portugueses teremos de contribuir com cerca de 665€.
Portanto, o Estado somos Nós mas não alvitramos sobre o destino dos nossos impostos; o Estado somos Nós mas não mandamos, limitámo-nos a obedecer às ordens impostas.
Pagar e não bufar: à banca, ao império da bola e a mais alguns lobbies engenhosos que metem a mão no bolso do Estado que somos Nós mas que é subjugado por quem elegemos em actos eleitorais democráticos. Vale a pena pensar em sufrágio? Diria: é urgente pensar em democracia viva!
                                                                      

segunda-feira, 8 de abril de 2013


Justiça. O que é isso!



«Durante esta semana não vão faltar comentários à decisão do tribunal constitucional e 
à forma como esta foi tomada. Assim sendo e uma vez que acredito que não faltarão oportunidades para discutir o assunto, achei por bem aproveitar a boleia desta decisão e começar a expor algumas das minhas considerações sobre o sistema jurídico nacional.
Ao ler o artigo do expresso (na pág. 4) respeitante à decisão do tribunal constitucional, ouve algumas partes que despertaram a minha atenção da forma mais negativa possível. O primeiro exemplo vem do facto da declaração da inconstitucionalidade da lei se ter ficado a dever ao voto de duas juízas indicadas pelo governo no ano passado, ser motivo de noticia. Tanto quanto me posso recordar a mesma constituição, em que se baseou esta decisão, define uma total separação entre o poder judicial e o poder “politico”.
A Segunda coisa que me impressionou foi o comentário, feito pelo PSD na voz de Teresa Leal Coelho e publicado neste jornal sobre a decisão do tribunal constitucional, dizendo que o partido estava “perplexo e muito preocupado” acusando ainda os juízes de “um certo alheamento do contexto económico e financeiro do país”. Talvez este comentário tenha alguma razoabilidade mas o que diria esta senhora, quando a umas semanas atrás era notícia do J.N. a condenação de um professor por pedofilia a 3 ou 4 anos de pena suspensa, que assim pode manter o seu cargo como professor, voltando a dar aulas a menores? Não será este um caso ainda mais grosseiro de alheamento da realidade social, e daquilo que facilmente se considera como o mínimo de justiça espectável? Porque não foi este professor, condenado a uma pena de prisão efectiva, uma vez que os seus crimes foram dados como provados, e exonerado consecutivamente?
Que justiça é esta em que um presidente de câmara consegue entrepor uma quantidade indefinida, e aparentemente sem fim à vista, de recursos judiciais para evitar cumprir pena de prisão tendo assim já conseguido a prescrição de algumas das sentenças. Dando-se até ao trabalho de ligar para uma estação de televisão a esclarecer quais foram as penas de que se conseguiu ver livre com as suas artimanhas? Que justiça e esta em que os ricos e influentes conseguem escapar por entre os dedos da justiça e os mais fracos ficam lá encurralados? Há nas prisões um elevado número de presos por crimes considerados bem menores – pessoas apanhadas a roubar bens alimentares no supermercado que não conseguem pagar a multa imposta por esta suposta justiça e que têm de passar uma ou mais noites numa cela, como resultado de um processo jurídico que foi, sem dúvida, mais “valioso” do que o valor furtado. Como podemos querer responsabilizar judicialmente um ministro quando não o conseguimos fazer com um presidente de câmara?
De facto a justiça é cega e surda e, ainda mais grave, talvez seja autista, vivendo aliada da realidade em que o país se encontra favorecendo de forma mais ao menos constante os ricos e poderosos.

E já agora uma breve nota: um juiz do supremo tribunal pode reformar-se aos 40 anos após 10 de serviço, e com uma reforma bem simpática. É apenas mais uma daquelas coisas extraordinárias, de uma constituição que se diz igualitária.

É mais um dos monstros que a Nação Valente e Imortal de um Povo de “brandos costumes” criou e cria com a sua pacata demissão política.»