quinta-feira, 18 de abril de 2013


Equidade Financeira!



Para o comentário desta semana tinha planeado continuar a dissertar sobre o sistema judicial do nosso pais, partilhando uma “peripécia” entre mim e a PSP do porto, mas as notícias em torno do acordo entre o Sporting e a banca vieram alterar os meus planos, forçando-me a deixar esta quase comédia (parodia) policial para mais tarde.
Como penso que muitos de vós já deverão saber, o Sporting chegou a acordo com o BCP e o BES para a libertação de 4 milhões de euros para pagar os salários em atraso da equipa principal. Pelo que consegui apurar o ordenado mais baixo de um jogador da equipa principal ronda os 42 mil euros. A verba que o clube conseguiu desbloquear provem dos direitos televisivos dos jogos, que estavam penhorados pelos bancos, em causa como forma de pagamento das dívidas. Divida esta que se fala andar entre os 15 e os 23 milhões de euros.
Esta é uma negociação que para muitos particulares que tentaram renegociar os créditos das suas casas (de montantes bem menores), não deu frutos e em muitos casos conduziu a uma total ruína familiar, fazendo com que famílias inteiras percam as suas casa e fiquem com uma divida que se poderá arrastar ate ao final das suas vidas. Entendo que os bancos não queiram perder o dinheiro investido, ou ficar com bens que depois teriam dificuldade em transformar em dinheiro, mas o mesmo acontece com um elevado número de casas que vemos ir a leilão todos o dias. Também sei que a compra e venda de jogadores de futebol se correr bem pode ser muito rentável, caso corra mal pode ser desastrosa.
O BCP anuncia ter 4.200 milhões de euros, para emprestar as empresas ate 2015, no entanto é sabido as dificuldades que o nosso tecido empresarial tem encontrado para aceder a estas verbas.
É importante recordar que o BCP, como a maioria dos bancos portugueses já foi alvo de intervenção do Estado que, neste caso, se estima ter investido 3.500 milhões de Euros. Este valor que alguns analistas financeiros estimam ser 4 a 5 vezes superior ao seu valor de mercado uma vez que as acções deste têm oscilado em torno dos 9 cêntimos (0,093), facto que levanta algumas dúvidas quanto a capacidade do banco para pagar a divida dentro do prazo acordado de 5 anos.
Curiosamente, o Estado, com esta operação, passou à condição de sócio maioritário mas, pasmassem-se, o Estado Português não tem qualquer direito a intervir na gestão do banco, já que esta operação foi encarada como um simples empréstimo para o banco poder manter os rácios que deve cumprir. Verdade seja dita, depois do que fez durante o tempo que esteve à frente do BPN, não consigo dizer com segurança que esta foi uma má decisão!
Se a sua ou a minha empresa estiverem em risco, o Estado ajuda-o de alguma forma! Mesmo que com isso acabe por ter de despedir trabalhadores que passaram a ser um custo para o estado!
Vale ainda a pena recordar que o Estado já teve necessidade de entrevir também no BPI, no BANIF e CGD, num total aproximado de 7 milhões de euros, sem falar no ruinoso negócio do BPN. Sendo que um dos factores que muito contribuiu para a ruína deste banco foi a sua teia de relações com o mundo do futebol e em especial com a selecção nacional, vale a pena pensar sobre tudo isto. Caso estes bancos não consigam honrar as suas dívidas, segundo alguns, eu e todos os portugueses teremos de contribuir com cerca de 665€.
Portanto, o Estado somos Nós mas não alvitramos sobre o destino dos nossos impostos; o Estado somos Nós mas não mandamos, limitámo-nos a obedecer às ordens impostas.
Pagar e não bufar: à banca, ao império da bola e a mais alguns lobbies engenhosos que metem a mão no bolso do Estado que somos Nós mas que é subjugado por quem elegemos em actos eleitorais democráticos. Vale a pena pensar em sufrágio? Diria: é urgente pensar em democracia viva!
                                                                      

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