O TURISMO COMO FACTOR DE DESENVOLVIMENTO, E UM POSSÍVEL PAPEL DO
ESTADO.
Há sensivelmente dois anos apercebi-me que conhecia melhor algumas
regiões fora de Portugal do que conheço o meu país. E decidi alterar esta situação!
Desde então tenho me empenhado em viajar um pouco por todo o país, no entanto
sempre que falo desta minha vontade com algum amigo, a grande maioria, diz-me
que também não conhece muitos dos locais incríveis que existem no nosso país e,
que por vezes até tem amigos estrangeiros que conhecem melhor algumas das
nossas regiões do que eles e, justificam esta falta de conhecimento com os
preços da maioria dos hotéis. Dizendo que os hotéis Portugueses não são para
nós, pois são caros! Isto torna-os cada vez mais vazios e, para estrangeiros. O
que em parte não deixa de ser verdade uma vez que alguns hotéis têm tarifas
muito caras, em alguns casos tal facto parece-me compreensível, devido aos
elevados custos operacionais, como por exemplo acontece no Alentejo ou no Douro
onde a grande maioria das unidades hoteleiras pratica preços elevados.
Quanto a qualidade, acho que esta nas “novas zonas de interesse
turístico” tem vindo a melhorar substancialmente existindo até algumas unidades
hoteleiras de excelência, e que tem vindo a contrariar aquela que foi a
tendência dominante durante vários anos de construir hotéis em altura onde o
que interessava era exclusivamente o número de camas o, que em muitos casos
levou a degradação de paisagens, havendo hotéis que inclusivamente tem vista
para as traseiras de outras unidades hoteleiras.
Num país em que tanto se fala do Plano de Ordenamento do
Território, que qualifica uma grande parte do país como reserva natural,
florestal ou agrícola, impossibilitando assim a construção e o investimento
nestas áreas geográficas. Principalmente quando o pedido de licenciamento e
feito por pequenos investidores, mas se for um grande grupo económico nesse
caso já se pode altera o PDM alegando interesse nacional. Eu confesso que por
vezes sou tentado a encarar estas decisões como actos de favorecimento do
governo. Na minha convicção no que diz respeito ao ordenamento do território e
ao seu consequente aproveitamento turístico ainda temos muito a aprender, por
exemplo com a pequena ilha de Lanzarote nas Canárias, e com o legado que foi
deixado pelo artista plástico César Manrique, à ilha.
No entanto este não é o único aspecto que me faz tecer algumas
críticas a forma como o país explora o seu potencial turístico. Na maioria das
zonas turísticas do nosso país e, mesmo naquelas que tem vindo a receber mais
distinções internacionais, ainda há várias carências: faltam actividades que
possam facilitar a forma como os turistas ocupam o tempo e, conhecem a região
e, muitas vezes as ofertas que existem são pouco flexíveis, sobretudo se, se
tratar de um turista Português mostrando grandes dificuldades de se adaptarem
às preferências dos clientes e as suas possibilidades. Os Postos de Turismo em
muitos casos, tem funcionários que denotam um défice muito grande quanto ao
conhecimento, que seria desejável terem sobre a região e, em não raras vezes
sérias dificuldades em falar línguas estrangeiras. A título de exemplo em
Agosto estive em Porto Santo e, no posto de turismo quando me tentei informar
sobre os melhores locais para tirar fotografias, tudo o que consegui foi que me
dessem uma folha A4 com um mapa da Ilha e, quando perguntei quais os melhores
produtos locais a resposta foi que devia tentar comprar vinho do Porto, quando
facilmente a funcionária do posto de turismo me identificou como habitante
do “continente”. Igualmente estranhei o facto de não haver passeios de barco! (ou
pelo menos que sejam do conhecimento da funcionária do Posto de Turismo).
Falemos também na enorme desvalorização do Património Cultural e
Histórico, uma pessoa visita um museu e tem dificuldade em saber a História do
Edifício, uma vez que em muitos casos a funcionária/o se limita a vender
bilhetes. Devemos recordar que a História vende e, que a maioria dos turistas
prefere ouvir uma História mesmo que esta não seja inteiramente factual, do que
simplesmente olhar um bonito Edifício, ou ler as tabuletas existentes nos
Museus Acredito que todos os museus deviam contar com visitas guiadas, assim
talvez fossem menos desérticos!
Considero que se deveria ter em consideração, que os países que
neste momento mais tem vindo a despertar interesse por parte dos turistas, são
aqueles que conservaram fortes tradições e que tem uma História, para partilhar
com quem os visita.
O turismo apresenta-se como uma das principais actividades económicas
do mundo e tem sido apontado como um sector estratégico para a economia
nacional. Factor que provocou um forte aumento do turismo nos meios urbanos, a tal
ponto que as cidades e os seus Centros Históricos se transformaram em grandes
atractivos como destinos de férias. Assim e importante que todos nos recordemos
que as cidades não se limitam a espaços físicos, elas são igualmente espaços de
cultura história e muitas vezes cenário
para universos imaginários, quantos não foram os cineastas, escritores e
pintores que inspiraram as suas obras em locais pelos quais tiveram
oportunidade de passar.
É importante que as pessoas consigam entender, que o principal
responsável pelo sucesso turístico é a própria sociedade. É ela que interage
com os turistas, assim e primordial que as pessoas encaram o turismo como uma
mais-valia para a sua “cidade”, e para os seus habitantes Não são apenas os
turistas que aprendem com a nossa cultura, mas também aqueles que tem
oportunidade de contactar com eles acabam socialmente e culturalmente
enriquecidos.
O facto dos passeios familiares de fim-de-semana serem cada vez mais raros e, a forte dificuldade
financeira que a maior parte dos Portugueses sente em conhecer o seu país,
leva-me a questionar, quantas e quantas oportunidades não estarão a ser
desperdiçadas, ainda mais numa altura em que a agricultura parece estar em fase
de crescimento.
Há locais incríveis, que deviam ser do conhecimento de todos e
motivo de orgulho nacional bem como alguns projectos turísticos de elevado
interesse e qualidade dos quais eu destacaria os Barcos Casa do Alqueva um
projecto inovador para o nosso país e que em conjunto com as já muitas herdades
destinadas ao turismo vieram dar uma nova vida a uma região onde as pessoas de
mais idade foram trocando as inchadas para o cultivo da horta e os fins de
tarde a jogar cartas pela cana de pesca, numa zona do país onde ainda há
algumas pessoas que tem a felicidade de sentir a necessidade de matar o tempo.
Perante todos estes factos e, ao aperceber-me que como eu, existem
milhares de outras pessoas que conhecem muito pouco Portugal e, que a
desertificação das zonas interiores do país não para de aumentar e, num ocasião
em que a aposta na agricultura tem vindo a crescer pergunto-me porque razão o
estado não aproveita melhor o seu património edificado e não cria uma rede de
Albergues similar aos existentes, por exemplo, no Caminho de Santiago, que na
minha opinião funcionam muito bem!
Considero que não seria muito difícil entregar ao poder local a
gestão de pequenos hostels de baixo custo e, para estadias de curta duração,
esta seria sem dúvida uma forma de permitir aos nossos jovens conhecer o país e
procurarem as suas próprias oportunidades de emprego, bem como trazer alguma
dinâmica ao mercado local e a criação de um ou dois postos de trabalho por cada
Hotel, esta poderia também ser uma forma de combater a desertificação das zonas
rurais do país. Um país não é feito exclusivamente de grandes metropoles.
Vejamos Miranda do Douro, uma Cidade linda perdida no nordeste transmontano!
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