Depois de falar das minhas referencias e
tempo de falar um pouco de mim…
Sempre me
preocupou o pensamento sobre a forma como gostaria de ser recordado, e do
“legado” que gostava de deixar as todas as pessoas que me rodeiam, e acho que
já sei a resposta.
Na passada
terça-feira à noite o meu cão fugiu para o meio da rua enquanto o passeava, atraído
por um “porco-espinho bébe”, acometido por um acto de compaixão despi a
camisola, para poder pegar-lhe, sem me magoar e, levei o animal comigo para
casa, para tentar garantir a sua sobrevivência, mas no momento havia muitas
coisas sobre este animal que eu ainda não sabia! A primeira coisa a fazer foi
ligar para o Hospital Veterinário do Porto onde durante a minha infância havia
visto um como animal de estimação e, fiquei a saber como o devia alimentar e,
como deveria tentar “instalar”. Uma vez que a minha mulher tem imenso medo do
animal, não o pode deixar em casa tive de o pôr na garagem. No dia seguinte,
iniciei alguns contactos com Jardins Zoológicos e, Parques Naturais para tentar
encontrar uma casa para o meu novo inquilino. E até não foi muito difícil, mas
acabei por me deixar guiar um pouco pelo meu instinto paternal e ficar com o
“porco-espinho” mais uns dias para o poder mostrar ao meu filho e, ao meu
sobrinho, acreditando ainda que o meu filhote poderia marcar alguns pontos se
pudesse mostrar o animal aos amigos, que de certeza também nunca teriam visto
um “porco-espinho”.
Assim sendo para além
da comida havia que lhe arranjar uma gaiola, no entanto, este ficou em “liberdade”
na minha garagem até quinta-feira, contando com as minhas visitas regulares
para o alimentar, as quais Ele se foi adaptando e deixando de ter qualquer
receio devido à minha proximidade.
O que eu não
sabia é que apesar dos “ouriços-cacheiros” poderem ser animais de estimação,
durante a sua fase de socialização para além do utilizarem os espinhos como
forma de defesa, também fazem Chichi com um odor muito forte para evitar que os
predadores, neste caso eu se aproximem, o que conjuntamente com o respectivo
cócó, deixou a minha garagem num completo caos que penso que facilmente puderam
imaginar e, que me deu um enorme trabalho, a limpar, e que mesmo depois de
gastar um litro de lixívia e, mais tarde um frasco de detergente, a garagem
ainda não está completamente livre de cheiros.
Na quinta-feira à
noite já dentro de uma gaiola “adaptada” finalmente tive oportunidade de
mostrar o animal ao meu filhote que desde o dia, em que ao telefone lhe disse
que tinha em casa um “porco-espinho” para lhe mostrar se manteve eufórico com a
possibilidade de ver o animal. Foi para mim muito emotivo e divertido ver a
forma como tanto o meu filho, como o meu sobrinho se foram familiarizando com o
“ouriço-cacheiro”, até ao momento em que tiveram coragem de lhe fazer algumas festas
e, de descobrirem que não picava e, que pelo contrário dava uma sensação
agradável e divertida. No entanto, com o passar do tempo e com a crescente
adaptação do animal, a presença humana foi crescendo em mim a preocupação pelo
animal estar a perder o seu extinto de selvagem, e de se tornar cada vez mais
difícil o seu regresso ao habitat natural com sucesso. Nova ronda de contactos
para tentar encontrar alguém disposto e com condições para ter um tão invulgar
animal de estimação, estes segundos contactos é que já não correram tão bem e
cada vez mais me faziam recordar que “de boas intenções esta o Inferno cheio”.
Na sexta-feira de
manhã como havia acordado com o meu filho levei o animal dentro da sua gaiola
para os colegas o verem mas alertando-o que em princípio à hora de almoço teria
de se despedir do animal, que já tinha passado demasiado tempo entre nós, e de
o levar ao Parque Biológico de Gaia. Os amigos do meu filho e a Professora adoraram
a oportunidade de ver o animal que de outra forma seria difícil verem. E à
saída do recreio da Escola passei pela porta do Infantário onde questionado por
uma Educadora disse que dentro da gaiola estava um “porco-espinho” e que se quisesse
o poderia mostrar às crianças. A Educadora ficou muito entusiasmada com a ideia
e pediu para que deixasse a gaiola com o animal até à hora do almoço. Obviamente
disse que da minha parte não haveria qualquer problema, mas alertei para os
risco dessa decisão, havia uma forte possibilidade de após alguns minutos na
sala com o animal já ninguém conseguir lá estar!
Qual não foi o
meu espanto quando o fui buscar e a Educadora perguntou se podiam ficar com o animal
já que a turma dela era a única a não ter um animal de estimação, eu considerei
que não me parecia haver nisso um grande inconveniente ainda mais que estava
preocupado com as possíveis dificuldades de sobrevivência que o animal podia
ter ao regressar ao seu habitat. Mas que de qualquer das formas me parecia uma decisão
arriscada. – Não se preocupe ele até já andou pela sala e não libertou qualquer
odor desagradável nem mostrou qualquer tipo de receio.
E assim espero
ter salvado a vida de um animal que para algumas pessoas é repugnante, e para outras,
querido e, pelo caminho ter feito a felicidade do meu filhote do meu sobrinho e,
de mais umas cinquenta crianças. Fazendo assim com que todo o esforço e irritação
que me causou a limpeza da garagem me parece-se um preço pequeno perante a vida
salva e perante a felicidade das crianças que pode conquistar.
Quanto a saber se
a minha decisão foi ou não a mais correcta esta é uma resposta que só o tempo
poderá dar, pelo que pode averiguar o animal pode viver até 7 anos, no entanto,
uma grande maioria não excede os 3.
É desta forma que
gostaria de ser recordado, um homem apaixonado que um dia encheu um quarto com
aviões de papel contendo cada um deles um pensamento, como um Homem de Família,
preocupado com os outros e, num constante dilema e procura de soluções justas.

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