segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Há acontecimentos que nos deixam triste e desiludidos!


O passado sábado foi um desses dias em que “tristeza” se apoderou de mim, tendo a sua origem na manifestação dos professores contra a avaliação. Como devem saber eu sou favorável à mesma, não querendo com isto dizer que os professores não tenham razão para manifestarem o seu descontentamento ou para estar apreensivos. No entanto, acredito que quem está suficientemente seguro das suas capacidades não deve temer a avaliação.
O Decreto Regulamentar n.o 7/2013, de 23 de Outubro, vem estabelecer o regime da prova prevista no artigo 22.o do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 139-A/90, de 28 de abril. Diz o mesmo Diploma e passo a citar: Importa agora, atento o disposto em tal diploma, definir o calendário de realização da prova de conhecimentos e capacidades, as condições de aprovação e os valores a pagar pela inscrição, consulta e pedido de reapreciação da mesma.
Entendo que se devam manifestar pelo facto da prova estar agendada para o próximo dia 18 de Dezembro ( sem que, até ao momento, seja claro qual o conteúdo da mesma, e quem e como a vais conceber, nem tão pouco por quem e com base em que critérios esta vai ser corrigida). Diz o diploma nos termos do disposto no artigo 3.o, no n.o 1 do artigo 4.o e no n.o 4 do artigo 13.o, todos do Decreto Regulamentar n.o 3/2008, de 21 de Janeiro, na sua redacção actual, determino, para o ano escolar 2013-2014, o seguinte:
1 – No ano escolar 2013-2014 a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, adiante designada por prova, integra a componente comum e a(s) componente(s) específica(s), nos termos previstos nos n.os 2 e 3 do artigo 3.o do Decreto Regulamentar n.o 3/2008, de 21 de Janeiro.
2 – A componente comum da prova realiza-se no dia 18 de Dezembro de 2013.
3 – A(s) componente(s) específica(s) da prova realiza (m)-se entre os dias 1 de Março e 9 de Abril de 2014, inclusive.
A questão crucial colocada poderá ser: a avaliação apenas será conduzida por pessoas com qualificações hierarquicamente superiores? A título exemplificativo: um licenciado será avaliado por um doutorado?
Pessoalmente preocupa-me saber se esta prova terá uma real capacidade para avaliar as aptidões dos professores, uma vez que, em dados momentos da vida académica, mais do que os conhecimentos científicos do professor, as suas competências pedagógicas parecem-me absolutamente determinantes!
Há ainda mais algumas reclamações feitas pelos professores, como o fato de a prova ser exclusivamente para os professores contratados deixando de fora os já colocados, o fato de entenderem que esta retira todo e qualquer valor aos diplomas que foram obtendo, ao longo da sua formação (e o facto desta prova ter um custo de 20€). Deixando aqui o meu alerta para o fato deste valor apenas corresponder a uma parte da avaliação que os professores terão de fazer não incluindo, o valor a pagar pela inscrição, em cada uma das componentes específicas das diversas áreas científicas do professor, exames estes que terão um custo de 15€.
A primeira reivindicação parece-me legitima, no entanto não será difícil adivinhar as razões pelas quais a prova não será para todos, esperando que o tempo faça o seu papel levando a que um dia todos os professores no activo, apenas tenham iniciado a sua carreira docente depois de terem comprovado junto dos órgãos do governo e do País as suas competências. A prova não foi estipulada como obrigatória para todos os professores, para evitar possíveis despedimentos, facto que apesar de tudo penso que não iria conduzir a um aumento da taxa de professores desempregados, uma vez que acredito que haveria de imediato necessidade de entrada de novos professores para colmatar as vagas criadas com este processo. Acreditando ainda que a colocação de novos professores poderia conduzir a diminuição da despesa do Estado uma vez que os novos professores supostamente teriam uma remuneração inferior aos já colocados que não conseguissem uma avaliação positiva. No entanto, entristece-me o facto da nota para o acesso à carreira docente ser medíocre, não querendo com isto dizer que da avaliação deva obrigatoriamente resultar uma nota, e uma vez que foi este o método escolhido, acredito que os critérios devem ser exigentes, sobre pena dos resultados se afastarem demasiado dos objectivos, e não trazerem qualquer tipo de mudança.
Com a prova acredito que o Estado reconheça a legalidade da existência de determinados Cursos, e que o exame sirva para reconhecer as competências adquiridas pelos detentores de dos Cursos.
Quanto à verba a ser cobrada pela participação no exame não me parece de tudo excessiva uma vez que a sua realização acarreta obrigatoriamente custos para o país, e que comparativamente ao valor de outras provas similares é consideravelmente inferior.
Assim diria que concordo com a forma, mas não com o conteúdo, não podendo deixar de lamentar o facto de alguns professores se mostrarem determinantemente contra qualquer tipo de avaliação, uma vez que acredito que todos devemos ser avaliados no desempenho das nossas funções.





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