sábado, 15 de junho de 2013

Maquinas pensadas para facilitar a vida do homem e que acabam por lhe roubar o seu trabalho, invés de lhe facilitarem a realização das suas tarefas!


Na sequência do meu anterior texto sobre a realidade de vida de alguns dos desempregados de Portugal, não pode ficar indiferente, quando num canal televisivo da grelha da “Tv. Cabo”, que é por muitos considerados como promotor da cultura e da ciência, ouvi o seguinte expressão, como forma de promover um documentário que estuda o funcionamento das máquinas e a forma como determinados objectos são produzidos. “Atrás de um grande homem, está sempre uma grande máquina” a edição do programa que tive oportunidade de ver foi dedicado, a apresentação de uma máquina “extraordinária” capaz de fazer 450 pães por minuto. Apesar de em certa média entender o porque deste slogan, proponho que se faça uma breve reflexão em trono dele, e da máquina em si.
Antes de mais recuso-me, a aceitar uma publicidade que diz haver uma grande máquina por trás de um grande homem e não o contrário, deve-mos sempre lembrar-nos que as maquinas só existem porque um Homem, ou grupo de Homens dedicou, varias horas do seu trabalho, quer intelectual quer físico, para a sua criação.
Assim foram concebidas diversas máquinas, com o propósito de facilitar as actividades humanas, mas sobre tudo o de melhorar os rácios de produtividade, estas são maquinas que sem dúvida têm características admiráveis, mas que no entanto, apenas executam tarefas de forma mais ou menos autónoma, tendo por base intrusões dadas pelo Homem, quer seja através de comandos manuais ou programas criados para o efeito, cabendo sempre a este as tarefas intelectuais. Assim penso poder afirmar que atrás de uma maquina esta sempre um grande Homem e não o contrario.
Agora pensemos um pouco sobre esta máquina, que para fazer 450 pães apenas necessita da intervenção humana para a ajudar, na disponibilização da farinha se tivermos em conta as elevadíssimas taxas de desemprego existentes um pouco por todo o mundo. Questiono-me se não seria mais inteligente criar, apenas maquinas que facilitassem a realização das diversas actividades laborais, do Homem e as permitissem realizar com mais segurança, e menor esforço físico, invés de o substituírem! Quantos trabalhadores não seriam necessários para atingir o mesmo nível de produção?
 Podemos sempre argumentar que existem vários trabalhadores dedicados a construção e desenvolvimento desta máquina. No entanto não passa de um número insignificante, quando comparado ao número de postos que esta máquina vai destruir, espalhados um pouco por todo o mundo, para alem disso os seus criadores facilmente podem ter o azar de serem demitidos após a concessão da mesma. Este é um tipo de tecnologia que todos facilmente, apadrinham e importam, sem sequer reflectirem no mal que esta pode estar a fazer ao seu próprio país!
Isto é algo que não acontece apenas com esta máquina, mas com muitas outras que invés de facilitarem o trabalho dos Homem, o vieram substituir!
Aumentamos o ritmo de produção per-capita, mas diminuímos o poder de compra dos consumidores, levando até a extinção de algumas profissões.
Neste caso em particular, em breve talvez haja alguém que se lembre de a levar a dita máquina para perto de uma seara, Onde os seriais são cultivados maioritariamente com recurso a máquinas depois transformados, e em seguida serram injectados na dita maquina. Evitando custos por exemplo com o abastecimento, e transporte da matéria-prima, só ficando a faltar as bocas para comer os pães que ao ritmo que a pobreza cresce não deverão ser muito difíceis de encontrar.
Talvez a profissão do futuro seja de facto a produção de energia já que por enquanto esta continua a ser indispensável!
Numa altura em que a idade de reforma tende a aumentar, um pouco por todo mundo, talvez passemos a ir para cima, de uma bicicleta, não para nos exercitarmos, divertirmos, ou deslocarmos mas, para passarmos a produzir energia eléctrica. Imaginemos um octogenário a ter como objectivo para o seu dia de trabalho a produção de 20Kw.
Talvez passemos todos a ser mais saudáveis a viver mais, e a continuar a ter de trabalhar até mais tarde, ou talvez se morra mais devido ao esforço.
Entenda-se que não sou de todo contra os avanços tecnológicos, não dispensando o uso de muitos deles, e acredito que alguns se tornaram em bens quase que essenciais, mas evito ao máximo recorrer a bombas de gasolina self-service, caixas de supermercado self-service, a via verde entre outros exemplos.
No caso das bomba de gasolina, o abastecimento self-service, pode tornar mais rápido “o encher” do deposito, mas não me livro de uma fila de espera para poder pagar, já que a tendência e para a existência de cada vez menos funcionários nas bombas de gasolina.
Quanto as caixas registadoras self-service, dos supermercados, entendo que estas podem evitar longos períodos de espera na fila da caixa mas esta fila apenas é possível, porque os clientes reclamam pouco dando assim cada vez mais oportunidade para que os operadores de caixa sejam substituídos por sistemas self-service. Assim as grandes superfícies, não se importam de ver acumular filas de clientes nas caixas convencionais, pois sabem que o cliente não reclama de forma formal, e assim mais tarde ou mais cedo vai aderir as ditas caixas self-service onde o funcionário é você e nem por isso beneficia por exemplo de algum tipo de desconto…
Se não tem tempo ou paciência para as longas filas de supermercado porque não optar por fazer as compras online, assim sempre haverá um funcionário a reunir os artigos da sua lista de compras, e no mínimo um outro a entrega-las em sua casa.
Evito a utilização da via verde deixando, a apenas para momentos em que realmente o seu uso e quase que obrigatório, mas recuso de tudo as maquinas de pagamento, automático, gosto muito mais da voz simpática, e mais melodioso, do portageiro quando me diz: “Bom dia e boa viagem”. Já sem falar na ajuda que este me pode dar para chegar ao meu destino, ou por exemplo, indicar um bom restaurante ou ponto de interesse, daqueles que muitas vezes apenas as pessoas locais conhecem.
Estas são medidas simples, ao alcance de todos, e que talvez um dia mais tarde possam servir para garantir um posto de trabalho a um filho ou amigo, sendo no mínimo garantia de menos desemprego.
São os clientes que devem dizer se gostam ou não de um dado serviço, e não as empresas e imporem a sua utilização.
Relembro ainda que é muito mais útil para a nossa economia se quando vai comprar um produto de preço tabelado por exemplo um Jornal o fizer numa pequena loja de comércio local e não numa grande superfície

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