Obrigados a agonizar até a morte!
«Frequentemente
os acontecimentos alteram os nossos planos, isto é algo que me acontece
recorrentemente. Tinha prometido publicar mais algumas reflexões sobre o
desemprego, mas apesar de estas já estarem escritas terão de ficar para mais
tarde. Igualmente tinha prometido expor as minhas convicções, naturalmente abertas
a dialogo, e em constante mutação, quanto a adopção de crianças por casais gays
mas considero que o texto que hoje trago a publico assume uma certa urgência.
Urgência esta
que tenho vindo a adiar, mas motivado pelo Telefilme RTP que passou ontem a
noite na RTP1, (A viagem do Sr. Ulisses), que na minha opinião é um bom exemplo
de serviço publico, senti que era tempo de falar sobre a saúde e sobre um tema
talvez mais polémico que a adopção por casais gays.
Penso que de
forma mais ao menos consciente todos temos noção de que os nossos hospitais
passaram a ter uma preocupação acrescida com os custos, facto este que por si só
até me parece bem. Assim estaria plena mente de acordo com esta preocupação se
o controle de custos, não estivesse muitas vezes a ser feito do lado da terapêutica
médica. Assim cada vez mais os hospitais procuram substituir medicamentos, por
similares mas de menor custo, sobre tudo em casos de doenças em que as possibilidades
de cura são diminutas, ou em doenças consideradas banais.
É verdade que os
medicamentos genéricos têm o mesmo princípio activo, mas também é verdade que
os incipientes, que determinam a forma como o organismo absorve a medicação,
são diferentes de laboratório para laboratório, assim como é diferente a reacção
do paciente aos mesmos, o que faz com que a poupança conseguida através do recurso
a medicamentos genéricos nem sempre seja real, pois se o tratamento for mais prolongado,
provavelmente o medicamento mais caro, ao fazer efeito mais rapidamente
implicaria menos custos Assim muitas vezes levados pela anciã de diminuir os custos
os gestores Hospitalares acabam por os fazer crescer.
Mas acima de
tudo o que me levou a escrever este texto foi, um facto do qual tive
conhecimento a algum tempo mas só agora senti segurança e tive coragem de tornar
público.
Chegou-me aos ouvidos que, numa dada unidade hospitalar da região norte do país, para que 4 crianças
com doença em fase terminal terem direito a morfina, haverá um adulto que vai
ter de agonizar até morrer.
O estado neste
momento não tem capacidade nem interesse financeiro para resolver a dor com
medicamentos que possam minimizar o sofrimento, obrigando o cidadão a agonizar
até a morte, enquanto lhe nega, por outro lado, o direito a decidir sobre a sua
própria vida.
Nunca consegui
entender por que razão tem o estado a superioridade sobre a decisão pela vida
ou pela morte de cada um de nós. Sempre fui defensor da eutanásia – felizmente
já foi adoptado o testamento vital – levando-me a perguntar: para quando a
liberalização e regulamentação da Eutanásia? Penso que todos devemos ter o
direito de pôr fim ao nosso sofrimento da forma menos dolorosa possível.
Recomendo,
assim, o filme "Mar Adentro" do realizador Alejandro Amenábar»
E deixo ainda
um ultimo pedido que vai para alem de uma possível discussão em turno do polémico
assunto da Eutanásia, sendo que já algum tempo que o país tomou uma decisão, favorável
e em referendo quanto a eutanásia eugenica, para evitar um possível futuro “sofrimento”
de uma criança ou de uns pais”
O meu apelo
vai, no sentido de que olhem e cuidem um pouco mais dos “vossos” Acreditem que
em muitas “constipações” uma sopa quente feita de afectos é uma terapêutica bem
mais eficaz de que qualquer Benurom
Como se não bastasse o estado português estar a obrigar determinadas pessoas a agonizar até a morte, agora o estado prepare-se para em nome da poupança, fazer com que as pessoas que tenham de ser operadas, nos hospitais públicos corram um forte risco de contrair novas doenças.
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