Ensino à medida da mentalidade Portuguesa!
Há alguns tempos, uma corrente da
psicologia com a ajuda de alguns peritos da educação, defendiam a teoria de que,
uma criança reprovar no ensino primário podia ser traumático, esquecendo-se que
a maioria dos processos educativos tem muitas vezes, pequenos traumas, que
acabam por ter um papel fundamental na educação de uma criança. No entanto, até
poderei compreender que as crianças não reprovem no primeiro ano de escolaridade,
mas a partir daí parece-me contraproducente. A isto juntou-se o facto, dos
professores terem de questionar os pais se deviam ou não reprovar uma criança
com base no seu desempenho, sendo que a resposta na grande maioria das vezes
era negativa, pois muitos pais consideravam “vergonha que o filho reprovasse” optando
por deixar a criança transitar de ano, mesmo não estando preparado, e
esquecendo que mais que a vergonha que os pais poderiam vir a sentir entre os
seus amigos, muito provavelmente estariam a expor a criança a mais dificuldades
e ao Bulling dos colegas. (eu felizmente tive a sorte de reprovado na 4ª classe,
pelas mãos minha mãe, professora primária). Para terminar a paródia em beleza
as professores tinham de cumprir uma percentagem de reprovações.
Consequência lógica as crianças
chegavam ao 5º ano sem terem a devida preparação, mas similarmente aqui
acabavam por conseguir transitar de ano sem cumprir alguns dos requisitos
mínimos, muitas das vezes, porque os professores não lhes podiam dar atenção
suficiente para lhes ensinar o que tinha ficado por aprender no ensino primário,
sobre pena de acabarem por prejudicar a turma ou de não conseguirem cumprir o
programa lectivo. Assim estas crianças foram sendo chutadas de ano para ano. Felizmente
parece-me que estão a ocorrer algumas alterações nesta matéria com a implementação,
na minha opinião tardia, dos exames nacionais no 4º ano, mas mais vale tarde do
que nunca como se costuma dizer!
Uma vez no ensino secundário e
pelas razões anteriormente referidas as crianças iam transitando de ano, desde
que não tivessem mais de três negativas sendo que estas até poderiam ser a
Português e a matemática. Ou seja, é possível transitar de ano tendo negativa à
própria Língua e a matemática, disciplina considerada nuclear, embora considere
que os programas lectivos destas cadeiras devam ser revistos, considero que
nenhum aluno devia ter a possibilidade de transitar de ano com negativa a estas
duas disciplinas. O facto de transitarem de ano sem terem os seus conhecimentos
devidamente consolidados e de os programas estarem desactualizados, provocam igualmente
uma crescente desmotivação dos alunos, que vão dando cada vez menos atenção ao
estudo.
Uma vez que não quero importunar
nem entediar os meus leitores sou forçado a deixar o ensino superior, para um
outro artigo a ser publicado na próxima semana, ainda mais que esta é uma realidade
a parte, e que ao contraio do ensino primário tem vindo a baixar cada vez mais
de nível.
Sem comentários:
Enviar um comentário