segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ensino à medida da mentalidade Portuguesa!

 


Há alguns tempos, uma corrente da psicologia com a ajuda de alguns peritos da educação, defendiam a teoria de que, uma criança reprovar no ensino primário podia ser traumático, esquecendo-se que a maioria dos processos educativos tem muitas vezes, pequenos traumas, que acabam por ter um papel fundamental na educação de uma criança. No entanto, até poderei compreender que as crianças não reprovem no primeiro ano de escolaridade, mas a partir daí parece-me contraproducente. A isto juntou-se o facto, dos professores terem de questionar os pais se deviam ou não reprovar uma criança com base no seu desempenho, sendo que a resposta na grande maioria das vezes era negativa, pois muitos pais consideravam “vergonha que o filho reprovasse” optando por deixar a criança transitar de ano, mesmo não estando preparado, e esquecendo que mais que a vergonha que os pais poderiam vir a sentir entre os seus amigos, muito provavelmente estariam a expor a criança a mais dificuldades e ao Bulling dos colegas. (eu felizmente tive a sorte de reprovado na 4ª classe, pelas mãos minha mãe, professora primária). Para terminar a paródia em beleza as professores tinham de cumprir uma percentagem de reprovações.
Consequência lógica as crianças chegavam ao 5º ano sem terem a devida preparação, mas similarmente aqui acabavam por conseguir transitar de ano sem cumprir alguns dos requisitos mínimos, muitas das vezes, porque os professores não lhes podiam dar atenção suficiente para lhes ensinar o que tinha ficado por aprender no ensino primário, sobre pena de acabarem por prejudicar a turma ou de não conseguirem cumprir o programa lectivo. Assim estas crianças foram sendo chutadas de ano para ano. Felizmente parece-me que estão a ocorrer algumas alterações nesta matéria com a implementação, na minha opinião tardia, dos exames nacionais no 4º ano, mas mais vale tarde do que nunca como se costuma dizer!
Uma vez no ensino secundário e pelas razões anteriormente referidas as crianças iam transitando de ano, desde que não tivessem mais de três negativas sendo que estas até poderiam ser a Português e a matemática. Ou seja, é possível transitar de ano tendo negativa à própria Língua e a matemática, disciplina considerada nuclear, embora considere que os programas lectivos destas cadeiras devam ser revistos, considero que nenhum aluno devia ter a possibilidade de transitar de ano com negativa a estas duas disciplinas. O facto de transitarem de ano sem terem os seus conhecimentos devidamente consolidados e de os programas estarem desactualizados, provocam igualmente uma crescente desmotivação dos alunos, que vão dando cada vez menos atenção ao estudo.
Uma vez que não quero importunar nem entediar os meus leitores sou forçado a deixar o ensino superior, para um outro artigo a ser publicado na próxima semana, ainda mais que esta é uma realidade a parte, e que ao contraio do ensino primário tem vindo a baixar cada vez mais de nível.

As boas resoluções padecem de uma fatalidade: tomamo-las sempre demasiado, tarde. (Óscar Wilde)

Sem comentários:

Enviar um comentário