terça-feira, 26 de novembro de 2013


Depois de falar das minhas referencias e tempo de falar um pouco de mim…


Sempre me preocupou o pensamento sobre a forma como gostaria de ser recordado, e do “legado” que gostava de deixar as todas as pessoas que me rodeiam, e acho que já sei a resposta.
Na passada terça-feira à noite o meu cão fugiu para o meio da rua enquanto o passeava, atraído por um “porco-espinho bébe”, acometido por um acto de compaixão despi a camisola, para poder pegar-lhe, sem me magoar e, levei o animal comigo para casa, para tentar garantir a sua sobrevivência, mas no momento havia muitas coisas sobre este animal que eu ainda não sabia! A primeira coisa a fazer foi ligar para o Hospital Veterinário do Porto onde durante a minha infância havia visto um como animal de estimação e, fiquei a saber como o devia alimentar e, como deveria tentar “instalar”. Uma vez que a minha mulher tem imenso medo do animal, não o pode deixar em casa tive de o pôr na garagem. No dia seguinte, iniciei alguns contactos com Jardins Zoológicos e, Parques Naturais para tentar encontrar uma casa para o meu novo inquilino. E até não foi muito difícil, mas acabei por me deixar guiar um pouco pelo meu instinto paternal e ficar com o “porco-espinho” mais uns dias para o poder mostrar ao meu filho e, ao meu sobrinho, acreditando ainda que o meu filhote poderia marcar alguns pontos se pudesse mostrar o animal aos amigos, que de certeza também nunca teriam visto um “porco-espinho”.
Assim sendo para além da comida havia que lhe arranjar uma gaiola, no entanto, este ficou em “liberdade” na minha garagem até quinta-feira, contando com as minhas visitas regulares para o alimentar, as quais Ele se foi adaptando e deixando de ter qualquer receio devido à minha proximidade.
O que eu não sabia é que apesar dos “ouriços-cacheiros” poderem ser animais de estimação, durante a sua fase de socialização para além do utilizarem os espinhos como forma de defesa, também fazem Chichi com um odor muito forte para evitar que os predadores, neste caso eu se aproximem, o que conjuntamente com o respectivo cócó, deixou a minha garagem num completo caos que penso que facilmente puderam imaginar e, que me deu um enorme trabalho, a limpar, e que mesmo depois de gastar um litro de lixívia e, mais tarde um frasco de detergente, a garagem ainda não está completamente livre de cheiros.
Na quinta-feira à noite já dentro de uma gaiola “adaptada” finalmente tive oportunidade de mostrar o animal ao meu filhote que desde o dia, em que ao telefone lhe disse que tinha em casa um “porco-espinho” para lhe mostrar se manteve eufórico com a possibilidade de ver o animal. Foi para mim muito emotivo e divertido ver a forma como tanto o meu filho, como o meu sobrinho se foram familiarizando com o “ouriço-cacheiro”, até ao momento em que tiveram coragem de lhe fazer algumas festas e, de descobrirem que não picava e, que pelo contrário dava uma sensação agradável e divertida. No entanto, com o passar do tempo e com a crescente adaptação do animal, a presença humana foi crescendo em mim a preocupação pelo animal estar a perder o seu extinto de selvagem, e de se tornar cada vez mais difícil o seu regresso ao habitat natural com sucesso. Nova ronda de contactos para tentar encontrar alguém disposto e com condições para ter um tão invulgar animal de estimação, estes segundos contactos é que já não correram tão bem e cada vez mais me faziam recordar que “de boas intenções esta o Inferno cheio”.
Na sexta-feira de manhã como havia acordado com o meu filho levei o animal dentro da sua gaiola para os colegas o verem mas alertando-o que em princípio à hora de almoço teria de se despedir do animal, que já tinha passado demasiado tempo entre nós, e de o levar ao Parque Biológico de Gaia. Os amigos do meu filho e a Professora adoraram a oportunidade de ver o animal que de outra forma seria difícil verem. E à saída do recreio da Escola passei pela porta do Infantário onde questionado por uma Educadora disse que dentro da gaiola estava um “porco-espinho” e que se quisesse o poderia mostrar às crianças. A Educadora ficou muito entusiasmada com a ideia e pediu para que deixasse a gaiola com o animal até à hora do almoço. Obviamente disse que da minha parte não haveria qualquer problema, mas alertei para os risco dessa decisão, havia uma forte possibilidade de após alguns minutos na sala com o animal já ninguém conseguir lá estar!
Qual não foi o meu espanto quando o fui buscar e a Educadora perguntou se podiam ficar com o animal já que a turma dela era a única a não ter um animal de estimação, eu considerei que não me parecia haver nisso um grande inconveniente ainda mais que estava preocupado com as possíveis dificuldades de sobrevivência que o animal podia ter ao regressar ao seu habitat. Mas que de qualquer das formas me parecia uma decisão arriscada. – Não se preocupe ele até já andou pela sala e não libertou qualquer odor desagradável nem mostrou qualquer tipo de receio.
E assim espero ter salvado a vida de um animal que para algumas pessoas é repugnante, e para outras, querido e, pelo caminho ter feito a felicidade do meu filhote do meu sobrinho e, de mais umas cinquenta crianças. Fazendo assim com que todo o esforço e irritação que me causou a limpeza da garagem me parece-se um preço pequeno perante a vida salva e perante a felicidade das crianças que pode conquistar.
Quanto a saber se a minha decisão foi ou não a mais correcta esta é uma resposta que só o tempo poderá dar, pelo que pode averiguar o animal pode viver até 7 anos, no entanto, uma grande maioria não excede os 3.

É desta forma que gostaria de ser recordado, um homem apaixonado que um dia encheu um quarto com aviões de papel contendo cada um deles um pensamento, como um Homem de Família, preocupado com os outros e, num constante dilema e procura de soluções justas.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

                   
                      Pessoas que nos inspiram.

Foi precisamente neste dia, há 50 anos atrás, que aconteceu um dos mais mediáticos homicídios da história mundial e que conduziu à morte do presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy.
Acredito que, se não tivesse sido prematuro o desfecho do seu mandato, John Kennedy, seria, igualmente, um ícone da política mundial; pela forma como lidou com a crise dos mísseis de cuba e com a guerra fria, mas também pela forma como apoiou os movimentos de integração da comunidade negra num delicado jogo de interesses conveniências políticas e ódios, bem como pela participação no primeiro debate televisivo e pelas técnicas que utilizou para enfraquecer o seu o opositor Richard Nixon considerado favorito na corrida a casa branca.
Por tudo isto, John F. Kennedy tornou-se numa das minhas referências políticas, das quais poderei ainda destacar Winston Churchill num espectro oposto ao de John F. Kennedy, ou Martin Luther King, e o controverso, e nem sempre correcto, e opositor declarado de J. F. Kennedy, tendo feito as declarações mais mediáticas e mais mal vistas quanto à sua morte. Falo de Malcolm X, também ele activista dos direitos dos negros no EUA e fundador da Organização para a Unidade Afro-Americana, também ambos, vítimas de homicídio. Ainda na luta pelo direitos dos negros nos estados unidos não poderia esquecer o papel de James Meredith ao ser o primeiro negro a conseguir fazer a sua matrícula numa universidade, a este senhor ficaram a dever-se a seguinte declaração que, na época, foi, na minha opinião, muito mal entendida “nada poderia ser mais insultuoso do que a concepção de direitos civis para os afro-americanos. Isso significa uma perpétua condição de cidadão de segunda-classe para mim e para minha raça”. Igualmente decisivo foi o papel de James Hood e Vivian Malone ao serem os primeiros negros a matricular-se na Universidade do Alabama, acontecimento este que apenas foi possível devido a intervenção directa de J:F Kennedy, e que marca uma reviravolta histórica nos direitos dos Afro-Americanos, e esta na origem de um dos melhores discursos de J:F Kennedy.

Mas o mundo não é feito apenas dos Estados Unidos, assim há que destacar pessoas como Nelson Mandela, Mahatma Gandhi que som as suas atitudes foram marcos decisivas na história, na libertação dos seus povos e na luta pelos direitos Humanos. Devo ainda destacar algumas mulheres como Mary Quant, que num acto de libertação feminina e de luta pelos direitos da mulher acabou por nos presentear com a criação da hoje indispensável mini-saia, ou Ava Gardner pela promoção da utilização de Bikini afirmando a libertação sexual das mulheres. É também obrigatório e provavelmente mais importante falar Kate Sheppard responsável, pela primeira vez na história da humanidade pelo direito de voto das mulheres na Nova Zelândia bem como Millicent Fawcettt, fundadora da União Nacional pelo Sufrágio Feminino, na Inglaterra. E a mais conhecida de todas as activistas do feminismo Simone de Boauvoir.
Naturalmente que nem tudo o que os homens por mim referidos fizeram ao longo das suas vidas foi bom, nem eu concordo com todas as suas ideias, no entanto a forma como através da retórica foram capazes de motivar as pessoas para serem agentes da mudança em momentos decisivos da história mundial, não pode deixar de me inspirar.
Deixo aqui John F. Kennedy  algumas das suas frases que mais gosto:

“Não perguntem o que o país pode fazer por vocês, mas o que vocês podem fazer pelo país”

“Não vamos procurar a resposta republicana ou a resposta democrata, mas a resposta certa. Não vamos consertar a culpa do passado.  Vamos aceitar a nossa própria responsabilidade para o futuro.”

“Precisamos de homens que consigam sonhar com coisas que nunca foram feitas.”



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Há acontecimentos que nos deixam triste e desiludidos!


O passado sábado foi um desses dias em que “tristeza” se apoderou de mim, tendo a sua origem na manifestação dos professores contra a avaliação. Como devem saber eu sou favorável à mesma, não querendo com isto dizer que os professores não tenham razão para manifestarem o seu descontentamento ou para estar apreensivos. No entanto, acredito que quem está suficientemente seguro das suas capacidades não deve temer a avaliação.
O Decreto Regulamentar n.o 7/2013, de 23 de Outubro, vem estabelecer o regime da prova prevista no artigo 22.o do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 139-A/90, de 28 de abril. Diz o mesmo Diploma e passo a citar: Importa agora, atento o disposto em tal diploma, definir o calendário de realização da prova de conhecimentos e capacidades, as condições de aprovação e os valores a pagar pela inscrição, consulta e pedido de reapreciação da mesma.
Entendo que se devam manifestar pelo facto da prova estar agendada para o próximo dia 18 de Dezembro ( sem que, até ao momento, seja claro qual o conteúdo da mesma, e quem e como a vais conceber, nem tão pouco por quem e com base em que critérios esta vai ser corrigida). Diz o diploma nos termos do disposto no artigo 3.o, no n.o 1 do artigo 4.o e no n.o 4 do artigo 13.o, todos do Decreto Regulamentar n.o 3/2008, de 21 de Janeiro, na sua redacção actual, determino, para o ano escolar 2013-2014, o seguinte:
1 – No ano escolar 2013-2014 a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, adiante designada por prova, integra a componente comum e a(s) componente(s) específica(s), nos termos previstos nos n.os 2 e 3 do artigo 3.o do Decreto Regulamentar n.o 3/2008, de 21 de Janeiro.
2 – A componente comum da prova realiza-se no dia 18 de Dezembro de 2013.
3 – A(s) componente(s) específica(s) da prova realiza (m)-se entre os dias 1 de Março e 9 de Abril de 2014, inclusive.
A questão crucial colocada poderá ser: a avaliação apenas será conduzida por pessoas com qualificações hierarquicamente superiores? A título exemplificativo: um licenciado será avaliado por um doutorado?
Pessoalmente preocupa-me saber se esta prova terá uma real capacidade para avaliar as aptidões dos professores, uma vez que, em dados momentos da vida académica, mais do que os conhecimentos científicos do professor, as suas competências pedagógicas parecem-me absolutamente determinantes!
Há ainda mais algumas reclamações feitas pelos professores, como o fato de a prova ser exclusivamente para os professores contratados deixando de fora os já colocados, o fato de entenderem que esta retira todo e qualquer valor aos diplomas que foram obtendo, ao longo da sua formação (e o facto desta prova ter um custo de 20€). Deixando aqui o meu alerta para o fato deste valor apenas corresponder a uma parte da avaliação que os professores terão de fazer não incluindo, o valor a pagar pela inscrição, em cada uma das componentes específicas das diversas áreas científicas do professor, exames estes que terão um custo de 15€.
A primeira reivindicação parece-me legitima, no entanto não será difícil adivinhar as razões pelas quais a prova não será para todos, esperando que o tempo faça o seu papel levando a que um dia todos os professores no activo, apenas tenham iniciado a sua carreira docente depois de terem comprovado junto dos órgãos do governo e do País as suas competências. A prova não foi estipulada como obrigatória para todos os professores, para evitar possíveis despedimentos, facto que apesar de tudo penso que não iria conduzir a um aumento da taxa de professores desempregados, uma vez que acredito que haveria de imediato necessidade de entrada de novos professores para colmatar as vagas criadas com este processo. Acreditando ainda que a colocação de novos professores poderia conduzir a diminuição da despesa do Estado uma vez que os novos professores supostamente teriam uma remuneração inferior aos já colocados que não conseguissem uma avaliação positiva. No entanto, entristece-me o facto da nota para o acesso à carreira docente ser medíocre, não querendo com isto dizer que da avaliação deva obrigatoriamente resultar uma nota, e uma vez que foi este o método escolhido, acredito que os critérios devem ser exigentes, sobre pena dos resultados se afastarem demasiado dos objectivos, e não trazerem qualquer tipo de mudança.
Com a prova acredito que o Estado reconheça a legalidade da existência de determinados Cursos, e que o exame sirva para reconhecer as competências adquiridas pelos detentores de dos Cursos.
Quanto à verba a ser cobrada pela participação no exame não me parece de tudo excessiva uma vez que a sua realização acarreta obrigatoriamente custos para o país, e que comparativamente ao valor de outras provas similares é consideravelmente inferior.
Assim diria que concordo com a forma, mas não com o conteúdo, não podendo deixar de lamentar o facto de alguns professores se mostrarem determinantemente contra qualquer tipo de avaliação, uma vez que acredito que todos devemos ser avaliados no desempenho das nossas funções.